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ESSE TIME PODE JOGAR MAIS
(De Wanderley Nogueira, especial para A Gazeta Esportiva) -SANTA CRUZ
DE LA SIERRA - A Seleção Brasileira conseguiu dois pontos
importantes e agora terá dois dias para corrigir falhas, erros
e deficiências antes de enfrentar o selecionado paraguaio, em Assunção.
O que ficou da vitória de ontem? Essa análise foi feita
por dezenas de jornalistas durante a noite de domingo e a madrugada de
segunda-feira. Não houve vôo e boa parte dos jornalistas
e radialistas só poderá viajar hoje para o Brasil. O tráfego
aéreo de Santa Cruz de La Sierra pode ser considerado intenso.
Como intensas foram as horas de discussão, sobre as possibilidades
do atual time do Brasil. E as opiniões foram unânimes: o
time de Telê Santana tem condições de crescer muito,
mostrar um futebol entusiasmante, algo que agrade aos torcedores brasileiros.
E esse "detalhe" é o mais importante de tudo, afinal
os dias foram poucos e os treinamentos não foram suficientes, mas
o nível técnico de cada jogador permite a todos crer que
o volume de futebol apresentado irá aumentar sensivelmente. O potencial
dos jogadores que estiveram em ação no último domingo
é conhecido e respeitado. Infelizmente, todos chegaram a conclusão que se o time fosse "o
do Evaristo" não teria conseguido derrotar os bolivianos.
Essa opinião foi ratificada pelo tempo de treinamentos em que o
time esteve nas mãos de Evaristo de Macedo e pelo futebol que a
maioria dos jogadores apresentou. Nada que pudesse provocar esperanças.
Bem diferente deste de hoje, que apesar de ter falhado bastante deixa
claro que contra o Chile (amistoso) e contra o Paraguai, no dia 16, o
futebol será melhor. Sócrates não foi bem. Jogou mais como armador do que como
atacante. Zico ainda sem as suas melhores condições técnicas
e físicas, mas com um exagerado desejo de acertar, tende a crescer,
Carlos bem, Leandro muito bem. Oscar e Edinho, uma dupla sem problemas.
Junior bom na marcação e excelente na recuperação.
Cerezo, Zico e Sócrates, discretos, Renato razoável, Casagrande
um lutador e Éder é o mais apático do time, pode
até perder a posição para o jovem Tato. Até
nos treinos, Tato tem demonstrado mais aplicação e não
será nenhuma surpresa se Éder for sacado do time contra
o Chile. Se tato agradar pode ficar no time contra o Paraguai. Apesar de tudo, a imagem do nosso futebol ainda é respeitada E foi assim desde a chegada do time de Telê Santana a santa Cruz
de La Sierra. Faixas em torno do Hotel Los Tajibos e centenas de pessoas
em busca de autógrafos. Mas a emoção foi crescendo
cada vez mais. Quando Pelé entrou em campo para dar o pontapé
inicial do jogo preliminar envolvendo garotos de até 10 anos e
um time com o uniforme da Seleção Brasileira, 25 mil pessoas
ficaram de pé, aplaudindo o "rei do futebol". Ele, com os braços erguidos, correndo em torno do campo e sendo
saudado pela multidão. Os garotos, emocionados, olhos brilhantes,
ficaram observando aquele que continuam reverenciando até hoje.
Pelé, sozinho no centro do gramado, e todos nós ficamos
com o coração apertado. Até o Pelé, acostumado
com as recepções inflamadas, entusiasmantes e carinhosas.
Nenhuma vaia, nenhuma contestação: só aplausos. A
imagem do futebol brasileiro ainda conserva um nível de admiração
na figura de Pelé. Poucos minutos depois, no estreito túnel que leva ao campo de
jogo, os onze jogadores brasileiros que jogariam minutos depois contra
os bolivianos, começaram o processo de aquecimento sob a direção
de Gilberto Tim. Silêncio no túnel, só as ordens de
Tim eram ouvidas. Os jogadores sérios, repletos de responsabilidades
e fazendo alongamento, utilizando como suporte as paredes de concreto
pintadas de amarelo. Só Zico com uma camisa branca, todos os outros
já estavam com a camisa de jogo. Na ponta do túnel, dezenas de rostos de jornalistas e radialistas
bolivianos, observando com atenção os movimentos dos jogadores
brasileiros. Um super elenco, na opinião dos bolivianos, se preparando
para entrar em cena. Alguns dos maiores jogadores do mundo, diziam eles
aos microfones, estavam se preparando para jogar contra o futebol boliviano.
Pouca atenção pra a seleção local, e total
cobertura dos músculos brasileiros. E quando a Seleção entrou em campo, as vais e os apupos foram quase imperceptíveis. A maioria aplaudiu. A barulhenta torcida brasileira tomou conta por alguns minutos, até que o selecionado brasileiro entrasse em campo. De qualquer maneira, conquistando títulos ou brigando com a imprensa, o futebol é uma instituição nacional, que deve ser preservada, cuidado com carinho, atenção e profissionalismo. O Brasil não pode correr o risco de perder essa imagem. Herói e artilheiro. É Casagrande, o filho da dona Zilda. Certamente, Casagrande foi um dos poucos remanescentes da Seleção
de Evaristo de Macedo que ganhou a posição dentro de campo.
Os "italianos", pelo futebol considerado mágico não
precisariam "brigar" e tinham vaga garantida no time de Telê.
Oscar? A seriedade deste jogador fascina a atual treinador. Renato? O
único ponta? Nome certo. Casagrande, porém, conquistou o seu lugar na equipe jogando na
meia esquerda do time de Evaristo de Macedo, estava sempre junto, colado
no Careca. Mesmo assim, pelo espírito de luta e por ser um autêntico
artilheiro, tinha lugar certo. Bastaram duas boas jogadas e lá
se foi a Bolívia, a 480 metros do nível do mar, bem longe
de La Paz, com toda a certeza, daqui para frente, esta arma anão
será desprezada. "Iremos jogar no topo da Cordilheira" disse um irritado, porém
conformado jornalista boliviano, após a partida. O avião atrasou e dona Zilda - que esperava o Valtinho por volta
das 23 horas somente pôde abraçar o herói de todos
os brasileiros à 1 hora da manhã: -- Olha, para falar a verdade, ainda nem deu tempo de conversar com ele.
O Valter dormiu até tarde e disse que iria para o Corinthians fazer
tratamento. Ele estava muito cansado, não podia ficar muito tempo
de pé - explica dona Zilda ontem à tarde. Mas Casagrande não foi ao Corinthians, onde muitos repórteres
aguardavam por ele. As dores no tornozelo diminuíram e ele preferiu
tratar de alguns problemas particulares. O que não terá
muito tempo para fazer até o final das Eliminatórias, principalmente
para quem casa em setembro. Hoje á noite o centroavante do Brasil se apresenta na Toca da Raposa, juntamente com todos os outros jogadores, muito felizes, mas não tão heróis quanto ele. Ainda mais depois de uma fase em que a seleção tinha apenas vilões.
WANDERLEY NOGUEIRA |
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